Renúncia fiscal de R$ 0,5 bi é o que espera empresa de potássio do Amazonas

Mineradora projeta incentivos da Zona Franca enquanto projeto segue contestado

Amazonas licencia porto da mina de potássio de Autazes

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 23/12/2025 às 14:38 | Atualizado em: 23/12/2025 às 14:38

A Potássio do Brasil estima economizar cerca de R$ 520 milhões em incentivos fiscais federais ligados à Zona Franca de Manaus, o valor foi informado a investidores após a empresa anunciar a obtenção de registro junto à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Os benefícios projetados incidem sobre o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), durante a fase de construção do projeto Potássio Autazes, no interior do Amazonas.

A mineradora afirmou que o registro sinaliza apoio institucional das autoridades federais ao empreendimento, apesar de o projeto enfrentar disputas judiciais por denúncias socioambientais, que a empresa nega.

“O registro aumenta a visibilidade e a previsibilidade em nosso modelo financeiro”, afirmou o diretor do projeto, Raphael Bloise.

A Suframa, no entanto, negou que a Potássio do Brasil tenha cadastro ativo. A autarquia informou que a empresa ainda não apresentou projeto formal para solicitar incentivos fiscais.

O órgão também não confirmou a realização de reunião entre o superintendente Bosco Saraiva e representantes da mineradora para anúncio do registro.

O projeto Potássio Autazes é alvo de ação do Ministério Público Federal (MPF) desde 2016, por falta de consulta ao povo indígena Mura. A Justiça suspendeu a licença prévia concedida pelo Ipaam e reconheceu a obrigatoriedade da consulta.

“Essa parceria com a Suframa a gente vê como uma manobra muito clara de violação de direitos, do respeito ao povo Mura, ao meio ambiente e à Amazônia”, disse Herton Mura, líder da Terra Indígena Apipica.

Com o recesso do Judiciário, decisões pendentes em tribunais superiores devem ficar para 2026. Apesar disso, a empresa informou a investidores que já garantiu contratos para a destinação de cerca de 90% do potássio que pretende extrair no Amazonas.

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Foto: divulgação