Manaus: da riqueza exuberante ao colapso e a reinvenção no coração da Amazônia
Capital viveu auge com a borracha, mergulhou em decadência após o colapso econômico e hoje tenta se reinventar sem repetir erros do passado.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 23/12/2025 às 06:20 | Atualizado em: 23/12/2025 às 06:20
Manaus é uma das poucas cidades brasileiras experimentaram uma trajetória econômica tão intensa. Em pouco mais de um século, a capital amazonense passou da riqueza exuberante ao colapso quase total e, hoje, busca novos caminhos para se reinventar em meio a desafios históricos e contemporâneos.
No fim do século XIX e início do século XX, Manaus viveu seu período mais próspero com o Ciclo da Borracha. O látex amazônico era disputado pelas grandes potências industriais, e o dinheiro circulava em volumes inéditos.
Conforme reportagem de O Antagonista, a cidade se modernizou rapidamente, com infraestrutura e luxos que a colocavam entre os centros urbanos mais sofisticados do mundo, mesmo cravada no meio da floresta.
A prosperidade, no entanto, tinha base frágil. Manaus dependia quase exclusivamente de um único produto. Quando a borracha passou a ser produzida em larga escala no Sudeste Asiático, o mercado amazônico perdeu competitividade de forma abrupta.
Assim, o impacto foi devastador: empresas fecharam, investimentos desapareceram e parte significativa da elite deixou a cidade.
O colapso econômico mergulhou Manaus em décadas de estagnação e isolamento. Distante dos grandes centros e sem alternativas produtivas consolidadas, a cidade cresceu em população, mas não em desenvolvimento. O contraste entre o passado luxuoso e os problemas urbanos e sociais tornou-se cada vez mais evidente.
A principal tentativa de retomada ocorreu a partir da década de 1960, com a criação da Zona Franca de Manaus. O projeto buscou atrair indústrias, gerar empregos e integrar a Amazônia à economia nacional. O modelo garantiu novo fôlego econômico e transformou a base produtiva da capital.
Hoje, Manaus ainda depende fortemente desse sistema de incentivos. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios estruturais, como o alto custo logístico, a pressão ambiental e o debate sobre a sustentabilidade do modelo.
Assim sendo, a história da cidade, marcada por extremos, serve de alerta: reinventar-se é necessário — mas diversificar e planejar o futuro é essencial para não repetir os erros do passado.
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Foto: Clóvis Miranda/Semcom
