Petroleiros de Urucu aderem 100% à greve nacional no terceiro dia

No Amazonas, o terminal de Coari tem adesão dos trabalhadores da operação, manutenção e do setor de saúde, meio ambiente e segurança

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 17/12/2025 às 14:09 | Atualizado em: 17/12/2025 às 14:09

A greve nacional dos petroleiros entrou nesta quarta-feira (17 de dezembro) em seu terceiro dia. Com a categoria unida, o movimento cresce a cada dia.

No Amazonas, por exemplo, o terminal aquaviário de Coari, na província de Urucu, há 100% de adesão dos trabalhadores da operação, da manutenção e do setor de saúde, meio ambiente e segurança.

No entanto, o terminal de Urucu está sob controle da equipe de contingência, enviada pela Petrobrás, para suprir os serviços.

“Nossas ações focaram no dia em que iria ocorrer o embarque das equipes de operação, manutenção e outras áreas para Urucu, que é toda quarta-feira. Os trabalhadores que já estão no movimento, paralisados, se dirigiram, com o sindicato ao check-in da Azul (empresa aérea) para fazer um piquete de convencimento. De lá, fizemos uma assembleia informativa na área externa do aeroporto, e a adesão foi de praticamente 100%, exceto o pessoal que está em cargo de confiança da empresa”, disse o diretor do Sindipetro Amazônia, Bruno Terribas.

Após a assembleia essas ações, os grevistas foram à sede da Petrobras, na Darcy Vargas, no bairro Parque 10 de Novembro.

Movimento nacional

De acordo com a Federação Única dos Petroleiros, ao todo, 28 plataformas da bacia de Campos estão em greve, com 100% de adesão dos trabalhadores do sistema Petrobrás.

Com a entrada da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e do terminal de Suape, ambos em Pernambuco, as nove refinarias das bases da Federação Única dos Petroleiros (FUP) no país passaram a integrar o movimento.

No total, a paralisação já atinge 9 refinarias, 28 plataformas offshore, 13 unidades da Transpetro, 4 termelétricas e 2 usinas de biodiesel, além dos campos de produção terrestre da Bahia, da Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB), da Estação de Compressão de Paulínia (TBG) e da sede administrativa da Petrobrás em Natal (RN).

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Greve por tempo indeterminado

O movimento segue por tempo indeterminado, motivado pela ausência de avanços nas negociações do acordo coletivo de trabalho e pela falta de respostas da Petrobrás a reivindicações históricas da categoria, como o fim dos equacionamentos dos déficits da Petros e a recomposição de direitos.

“A forte e crescente adesão à greve mostra a disposição de luta pela retomada dos direitos perdidos, pela valorização dos trabalhadores e por uma Petrobrás forte, pública e a serviço do povo brasileiro”, disse o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar .

Denúncias durante a greve

A FUP e os sindicatos denunciam práticas ilegais adotadas por gestores da Petrobrás para dificultar a liberação de trabalhadores que aderiram à greve em plataformas e refinarias.

Segundo levantamento da federação, há casos de trabalhadores mantidos por mais de 60 horas em unidades como a Reduc (RJ) e a Regap (MG), e por quase 48 horas na Lubnor (CE) e na Refap (RS).

As entidades sindicais acionaram a Justiça e órgãos de fiscalização, como o Ministério do Trabalho, que realizou diligência na Reduc para verificar as condições de saúde e habitabilidade dos trabalhadores retidos.

Vigília na Petrobrás

Paralelamente à greve, aposentados e pensionistas seguem em vigília há sete dias em frente ao Edisen, edifício sede da Petrobrás no Rio de Janeiro, cobrando o fim dos equacionamentos dos planos de previdência da Petros.

A mobilização reúne representações de diversos estados e permanecerá por tempo indeterminado, até que a empresa apresente um posicionamento concreto sobre o tema.

Foto: divulgação