COP-30: empresa de Doido, do Pará, usou dinheiro do crime, diz PGR

Procuradoria aponta que obras ligadas à conferência da ONU irrigaram organização criminosa de deputado do MDB no Pará.

Publicado em: 17/12/2025 às 11:04 | Atualizado em: 17/12/2025 às 11:07

Obras preparatórias da COP-30 colocaram um deputado federal no centro de uma investigação criminal. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), contratos milionários ligados à conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) financiaram um esquema chefiado por Antônio Doido (MDB-PA).

A apuração levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a autorizar buscas da Polícia Federal (PF).

Além disso, Dino determinou o bloqueio de contas, a suspensão de contratos públicos e a proibição de novas licitações. A decisão cita as empreiteiras J. A. Construcons e JAC Engenharia, controladas por pessoas ligadas ao parlamentar.

Entre elas, está Andrea Dantas, esposa de Antônio Doido e administradora do Consórcio RMB.

Esse consórcio mantém contrato de R$ 231 milhões com o governo do Pará para obras vinculadas à COP30, em Belém.

Segundo a PGR, o esquema envolvia saques em espécie, transferências fracionadas e uso de casas lotéricas. O policial militar Francisco Galhardo aparece como operador financeiro do grupo, ao lado da esposa.

A PF identificou saques que somam R$ 48 milhões entre 2023 e 2024. Há também suspeita de pagamento de propina ao secretário estadual de Obras, Ruy Cabral.

De acordo com a Procuradoria, os repasses ocorreram após vitórias em licitações do governo estadual. Embora o consórcio reúna empresas sem envolvimento direto no esquema, Dino autorizou buscas para preservar provas.

A investigação ainda aponta possíveis conexões com tráfico internacional, contrabando e compra de armamento pesado.

O deputado Antônio Doido não comentou. As empresas citadas também não responderam.

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Foto: Câmara dos Deputados