Vaqueiro a serviço do Ibama é morto em emboscada na terra indígena no PA
Crime ocorreu durante operação de desintrusão; PF e Funai reforçam equipes na região após o assassinato
Da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 16/12/2025 às 15:48 | Atualizado em: 16/12/2025 às 15:48
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou, nesta terça-feira (16), que o assassinato do vaqueiro Marcos Antônio Pereira da Cruz, de 38 anos, foi uma emboscada.
A vítima estava a serviço do instituto em uma operação de desintrusão na terra indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu, Pará.
Marcos Antônio foi alvejado no pescoço na segunda-feira (15) enquanto auxiliava o Ibama no deslocamento de aproximadamente 350 cabeças de gado que estavam em uma área invadida.
Reforço policial e investigação
Em resposta ao ocorrido, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que solicitou apoio de Policiais Federais, que já estão a caminho da base localizada próxima ao distrito da Taboca, na terra indígena.
A Polícia Federal (PF) confirmou que equipes já estão realizando diligências no local. O caso está sendo investigado pela delegacia da corporação em Redenção (PA) para identificar e responsabilizar os autores do crime.
Operação determinada pelo STF
A operação de desintrusão segue o cumprimento de uma decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF nº 709). Esta ação foi ajuizada em 2020 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), visando proteger os indígenas da região contra invasões ilegais de pecuaristas e garimpeiros.
Desde então, o poder público, através de diversos órgãos como Ibama, Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Funai, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Força Nacional e as polícias Civil e Militar, tem atuado para a retirada dos invasores.
Leia mais
Na terra da COP-30, Ibama apreende 7 mil m³ de madeira de áreas ambientais
Suspeita recai sobre invasores
A Funai expressou preocupação com a situação, mas garantiu que seus servidores estão em segurança. As suspeitas são de que a emboscada tenha sido realizada por “antigos moradores da TI, que ainda invadem o local para criação ilegal de gado”, conforme nota da fundação.
A repórter Ana Passos, da equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, que esteve recentemente na região, detalhou a complexidade da situação. Ela relatou que, embora mais de 2 mil pessoas envolvidas com agropecuária já tenham sido retiradas, há um gado remanescente e invasores que continuam tentando entrar na área para manejá-lo.
“Apesar de os produtores rurais já terem sido retirados da área, há um gado remanescente. O Ibama detectou mais de 40 pontos onde ainda há bovinos. Alguns invasores continuam tentando entrar lá pra manejar esse gado. Eles vêm fazendo atentados contra os indígenas e contra os agentes do estado. Um funcionário da Funai chegou a ser baleado no ano passado”, detalhou a repórter Ana Passos.
Os invasores utilizam táticas como queimar pontes e espalhar estruturas pontiagudas nas estradas para danificar veículos oficiais. A ação de remoção do gado é complexa, segundo a repórter, pois muitos animais estão em áreas de mata de difícil acesso.
Pesar e apoio à família
Em nota, o Ibama lamentou profundamente o ocorrido, manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Marcos Antônio e informou que está prestando o apoio necessário à família. O órgão também assegurou que as medidas cabíveis para a apuração do crime já foram adotadas.
*Com informações da Agência Brasil
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
