Apagamento da memória da ditadura começa por homenagem a Geisel
MPF se manifesta contra homenagens a agentes ligados a graves violações de direitos humanos reconhecidas pela Comissão da Verdade
Publicado em: 26/11/2025 às 21:47 | Atualizado em: 26/11/2025 às 21:47
O Ministério Público Federal recomendou que a Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Rio Grande do Sul, desative o “Memorial Presidente Ernesto Geisel”, inaugurado no dia 20. A reitoria tem cinco dias para informar as medidas que adotará.
Na recomendação, os procuradores Enrico Rodrigues de Freitas e Fabiano de Moraes pedem que a universidade também se abstenha de reinaugurar o espaço ou promover homenagens a agentes envolvidos em graves violações de direitos humanos, conforme reconhecido pela Comissão Nacional da Verdade.
O MPF lembrou que, durante o governo Geisel (1974–1979), o aparato repressivo seguiu perseguindo e eliminando opositores, com 54 desaparecimentos apenas em 1974 — o maior número do período militar.
O documento cita ainda mortes sob tortura, como as de Manuel Herzog e Manuel Fiel Filho, e o “Sequestro dos Uruguaios”, em 1978, quando militantes refugiados em Porto Alegre foram capturados e levados clandestinamente ao Uruguai junto com duas crianças.
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Foto: Arquivo Nacional/divulgação
