Manaquiri discute saída para pior Ideb do país em audiência do MP-AM
Com Ideb 2,5, o mais baixo do Brasil, MP reúne moradores e instituições para cobrar ações urgentes e soluções estruturais para a educação básica
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 25/11/2025 às 20:15 | Atualizado em: 25/11/2025 às 20:47
Mais de cem moradores de Manaquiri participaram, nesta terça-feira (25 de novembro), de audiência pública convocada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para tratar da crise na educação básica do município.
Manaquiri registrou Ideb 2,5 em 2023, o pior resultado do país.
O encontro buscou construir medidas emergenciais e estruturantes para reverter o cenário de evasão, distorção idade-série e baixa aprendizagem.
Coordenada pelo promotor de Justiça Caio Lúcio Barros, a audiência reuniu professores, gestores, pais, representantes da Semed, da Seduc, do Tribunal de Justiça, conselhos tutelares, entidades comunitárias, associações locais e cidadãos de diversas comunidades.
O encontro integra o procedimento administrativo aberto para acompanhar e propor soluções para a educação municipal.
A procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque, afirmou que a iniciativa tem apoio direto da instituição. Para ela, enfrentar o quadro depende da escuta ativa de quem atua nas escolas.
“O país jamais será justo enquanto não priorizar a educação, e não é possível estabelecer metas sem ouvir quem está na sala de aula”.
A corregedora-auxiliar do MP-AM, promotora Marcelle Christine Arruda, avaliou a audiência como oportunidade de construir respostas coletivas e detalhadas para o município.
Ação conjunta entre instituições
A procuradora Delisa Olívia Ferreira, destacou que a recuperação dos indicadores depende de integração efetiva entre órgãos públicos e comunidade escolar.
Segundo ela, os desafios vão desde transporte escolar condicionado ao regime dos rios até acompanhamento pedagógico irregular.
Para a procuradora, o Ideb baixo não reflete apenas dificuldades de aprendizagem: indica evasão, defasagem idade-série e limitações logísticas próprias do interior da Amazônia.
“Superar esse quadro exige articulação permanente entre secretarias, professores, gestores e comunidade”, afirmou.
A secretária municipal de Educação, Luiza Maria Souto, reconheceu o quadro crítico e disse que o município se organiza para melhorar índices e práticas.
Ela ressaltou os impactos da vazante e da cheia no planejamento escolar e defendeu continuidade das políticas educacionais.
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A voz dos professores e das comunidades
Durante o debate, a professora Maria Terezinha Teixeira apresentou sugestões práticas, como ajuste do calendário escolar à dinâmica dos rios, garantia de materiais pedagógicos e políticas de valorização docente.
A liderança indígena saterê-mawé Zirma Silva cobrou respeito às especificidades culturais e às condições das escolas indígenas e ribeirinhas.
Ela afirmou que as unidades rurais convivem com problemas antigos e que o poder público precisa atuar com responsabilidade.
“Precisamos de educação digna, que respeite nosso povo e nossas crianças”, disse.
Encaminhamentos e próximos passos
O MP-AM consolidará as contribuições apresentadas para formular recomendações e propor ajustes administrativos voltados ao calendário escolar, à redução da evasão, à superação da defasagem idade-série e ao cumprimento das metas do plano municipal de educação.
As ações seguirão sob acompanhamento da Promotoria de Justiça de Manaquiri no âmbito do procedimento administrativo instaurado.
Foto: divulgação
