Solimões dispara subida e empurra afluentes

Escalada do Solimões em novembro provoca reação imediata nos afluentes e altera o comportamento das águas na região.

Publicado em: 24/11/2025 às 08:42 | Atualizado em: 24/11/2025 às 08:58

O Solimões voltou a impor seu ritmo sobre o interior do Amazonas. Em novembro, a régua fluviométrica de Tabatinga registrou uma escalada que chama atenção pela intensidade e pelo intervalo curto: entre 1º e 23/11, o nível do rio saltou de 5,94m para 8,60m, uma subida contínua que fez o gigante amazônico avançar 13 centímetros em apenas 24 horas.

Por outro lado, diferentemente do rio Negro, cuja cheia tende a ser mais lenta e previsível, o Solimões funciona como um corredor de drenagem continental. Isso porque recebe volume de geleiras andinas, chuvas amazônicas e das grandes bacias peruanas e colombianas.

Quando sobe, pressuriza o sistema hídrico. Afluentes conectados por canais naturais ou subterrâneos reagem, mesmo que não chova localmente. É como abrir um registro principal: toda a rede responde.

Lago Tefé

No Lago de Tefé, os números confirmam o fenômeno. Entre 20 e 21 de novembro, o espelho d’água subiu 6 cm — ritmo acima do habitual para o período intermediário entre a estiagem e o pico da cheia.

Nos quinze dias anteriores, a curva foi constante: de 11,73m (07/11) para 12,90m (21/11), com aumentos diários que empurram lentamente a linha d’água para cima.

Rio Maraã

No rio Maraã, a resposta foi ainda mais agressiva. No intervalo de 01 a 24/11, a régua municipal passou de 9,29m para 10,20m, com saltos que se concentraram nos últimos dias da série.

Entre 23 e 24/11, a subida foi de 10 cm em apenas 24 horas, alterando a rotina de moradores que dependem do nível estável para chegar às comunidades ribeirinhas, acessar escolas e escoar produção agrícola.

A velocidade dessa subida não é apenas um dado hidrológico: ela define o ritmo da cheia que alcançará o interior nas próximas semanas. Quando o Solimões acelera, os afluentes deixam de escolher o tempo da água e passam a acompanhar o pulso do gigante.

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Foto: divulgação