Amazônia tem piores condições de moradia em áreas protegidas
Levantamento do IBGE revela precariedade profunda em unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas.
Publicado em: 21/11/2025 às 13:02 | Atualizado em: 21/11/2025 às 13:04
A precariedade domina as moradias nas áreas protegidas da Amazônia Legal e supera, com folga, os índices observados no restante do país. Em unidades de conservação, por exemplo, três em cada quatro moradores convivem com falhas de água, esgoto ou lixo, cenário muito pior que os 27,28% registrados na população brasileira.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante a COP-30, em Belém. O levantamento analisou 1.053 áreas protegidas na Amazônia Legal, incluindo unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas, que juntas ocupam quase metade da região.
Para a analista do IBGE Marta de Oliveira Antunes, a combinação entre isolamento geográfico e falta de políticas estruturadas agrava a desigualdade.
Nas unidades de conservação, a taxa de alfabetização chega a 87,08%. O número fica abaixo do índice nacional dessas áreas, de 91,16%. Além disso, 75,19% dos moradores enfrentam algum tipo de precariedade no lar. Em 22,23% dessas residências, os três problemas — água, esgoto e lixo — aparecem ao mesmo tempo.
A situação é ainda mais crítica nas terras indígenas. A área ocupa mais de 1,15 milhão de quilômetros quadrados e abriga 428 mil pessoas. Segundo o IBGE, 98,04% vivem com pelo menos uma precariedade e 75,05% acumulam as três. A taxa de alfabetização, de 77,25%, também é menor que a média nacional das terras indígenas.
Nos territórios quilombolas, a taxa de alfabetização alcança 82,13%, acima da média brasileira. Contudo, 96,90% dos moradores convivem com ao menos uma precariedade. Em 36,55% dos lares, falta água tratada, esgoto adequado e destino correto do lixo.
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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
