Amazônia: subida de temperatura do rio Solimões matou botos no Amazonas

Estudo aponta que rios da Amazônia ultrapassaram 40 °C em 2023.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 21/11/2025 às 13:02 | Atualizado em: 21/11/2025 às 13:02

Um estudo publicado na revista Science revelou um cenário alarmante para a fauna aquática amazônica: durante as ondas de calor e a seca extrema de 2023.

Como resultado, as águas de diversos lagos conectados ao rio Solimões ultrapassaram os 40 °C, provocando a morte em massa de botos-cor-de-rosa e de inúmeras espécies de peixes.

Conforme a revista Super Interessante, o fenômeno, descrito como inédito em escala e gravidade, é mais um alerta sobre os impactos acelerados das mudanças climáticas na região.

No Lago Tefé, no Amazonas, os pesquisadores registraram uma temperatura de 41 °C em toda a coluna d’água, que chega a cerca de dois metros de profundidade. Para efeito de comparação, um banho de spa costuma ter 37 °C.

“Não conseguíamos nem colocar os dedos na água. Estava muito quente, não só na superfície, mas até o fundo”, relatou o pesquisador principal, Ayan Fleischmann, do Instituto Mamirauá. “Você coloca o dedo e tira na hora, é insuportável.”

Entre setembro e outubro de 2023, a cena foi devastadora: cerca de 200 botos apareceram mortos, boiando na superfície do lago, além de milhares de peixes que não resistiram ao superaquecimento.

Cinco de dez lagos monitorados passaram dos 37 °C

Segundo o estudo, a situação não foi isolada. “Cinco dos dez lagos monitorados apresentaram temperaturas excepcionalmente altas durante o dia (acima de 37 °C), com um grande lago atingindo até 41 °C em toda a coluna d’água”, descrevem os autores.

As condições extremas resultaram de uma combinação de fatores: seca severa, níveis historicamente baixos dos rios, baixa circulação de vento, alta turbidez e radiação solar intensa.

Desse modo, todos esses elementos criaram um ambiente propício para o superaquecimento das águas — um sintoma crescente das mudanças climáticas.

Em anos típicos, a temperatura do Lago Tefé gira em torno de 30 °C nos meses mais quentes. Mas o padrão mudou.

Em 2024, durante outra seca recorde, o lago voltou a atingir 40 °C, indicando que episódios extremos podem se repetir com frequência maior.

Dessa maneira, o estudo reforça a vulnerabilidade dos ecossistemas da Amazônia diante do agravamento do clima global.

Portanto, a morte em massa dos botos — espécie símbolo da região e classificada como vulnerável — expõe o risco real de colapso ambiental caso eventos de calor extremo se tornem recorrentes.

Leia mais em Super Interessante.

Leia mais

Botos morrem de dezenas nos lagos secos do Amazonas, diz ong

Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá