Mídia recorda bastidores da bilionária ponte estaiada do rio Negro

Reportagem conta desafio de construir a ponte que tem concreto para erguer 3 Maracanãs.

Publicação exalta papel da ponte Rio Negro como maior estaiada do país

Publicado em: 17/11/2025 às 19:43 | Atualizado em: 17/11/2025 às 19:47

A história da ponte estaiada do rio Negro voltou ao debate após novos detalhes sobre seus bastidores virem à tona. A estrutura, inaugurada em 2011, mudou o eixo econômico do Amazonas e eliminou a dependência das balsas entre Manaus e Iranduba.

Apesar disso, a obra só saiu do papel depois de intensa pressão popular. Em 2003, moradores reuniram 120 mil assinaturas pedindo a ligação da capital com o interior. A mobilização abriu caminho para audiências, estudos e, finalmente, a ordem de serviço assinada no fim de 2007.

Com o início das obras em 2008, engenheiros descobriram que o rio Negro imporia desafios inéditos. As águas ácidas exigiram concreto especial com pozolana, enquanto a fundação precisou chegar a profundidades que levaram as máquinas ao limite. Em alguns pontos, a perfuração alcançou 91 metros.

Além disso, a cheia recorde de 2009 obrigou a equipe a mudar métodos e criar o “bloco casca”, permitindo trabalhar mesmo com o nível da água muito acima do previsto. A logística também impressionou: foram erguidas duas centrais de concreto no próprio canteiro, cada uma com capacidade para 80 m³ por hora.

Os números mostram a grandiosidade do projeto. A ponte tem 3.595 metros de extensão, com 400 metros estaiados e um mastro de 103,3 metros. O vão central, a 55 metros acima do rio, garante a passagem de embarcações. Ao todo, foram usados mais de 160 mil m³ de concreto e mobilizados 2.500 trabalhadores.

O orçamento, porém, virou polêmica. O valor inicial de R$ 506 milhões dobrou com aditivos para proteção estrutural, sinalização náutica e iluminação. O custo final fechou em R$ 1,099 bilhão.

A ponte, rebatizada em 2017 como Ponte Jornalista Felipe Daou, hoje tem quatro faixas de tráfego e impulsiona turismo, comércio e indústria no eixo Manaus–Iranduba–Novo Airão.

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Foto: Chico Batata/Agecom