COP-30 ecoa em Manaus: escolas mostram que o futuro da Amazônia começa na educação
Enquanto o mundo discute o futuro da floresta em Belém, escolas manauaras mostram que o caminho para uma Amazônia sustentável começa na sala de aula.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 13/11/2025 às 15:08 | Atualizado em: 13/11/2025 às 15:08
Em meio às discussões da COP-30, que acontece em Belém (PA) até 21 de novembro, líderes globais e autoridades brasileiras reforçaram a urgência de formar novas lideranças comprometidas com a Amazônia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes regionais destacaram que a floresta é essencial para a solução climática global e que é preciso fortalecer o protagonismo dos povos da floresta e também das cidades amazônicas, como Manaus.
Nesse contexto, as escolas assumem um papel estratégico: formar desde cedo cidadãos conscientes, orgulhosos de sua identidade amazônica e preparados para defender a região.
Em Manaus, duas escolas da zona centro-sul já vêm assumindo esse papel com protagonismo. Nelas, a Amazônia é parte viva do projeto pedagógico — da creche ao ensino médio, presente nas aulas, nas atividades culturais e no cotidiano dos alunos.
Na creche-escola Bebê Bombom, o processo começa pelos sentidos. Produtos regionais são usados intencionalmente na merenda, promovendo nas crianças o reconhecimento dos sabores e ingredientes típicos da região. Nos eventos e atividades lúdicas, elementos da cultura amazônica — como músicas, lendas, festividades e obras de artistas locais — são incorporados ao currículo, reforçando o vínculo afetivo e cultural desde cedo.
As crianças aprendem a valorizar o Curupira, a Iara e o Boitatá, tanto quanto (ou mais do que) os heróis e personagens dos desenhos animados comuns dessa fase da vida.
“A arte, a literatura e a cultura amazônica estão no centro das nossas práticas, porque é através delas que as crianças constroem sua compreensão de si mesmas e do lugar que ocupam no mundo. Queremos que nossos alunos entendam que a Amazônia não é apenas o lugar onde vivem, mas parte de quem eles são”, explica Annik Valentine, diretora da Creche-Escola Bebê Bombom.
No colégio Connexus, o Projeto Identidade Amazônica estrutura todo o currículo. Ele envolve textos de autores regionais, o estudo de desafios locais, como desmatamento e biopirataria, e atividades práticas como visitas a comunidades ribeirinhas, unidades de conservação e centros de pesquisa como o INPA, UEA e Museu da Amazônia.
Além disso, os alunos participam de clubes temáticos e projetos interdisciplinares — como o Sarau Literário, os Jogos Internos Connexus e a Feira de Ciências —, sempre com pautas conectadas à realidade amazônica.
Em 2025, por exemplo, um dos projetos apresentados na Feira de Ciências coincidiu com o tema de redação do vestibular Macro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) — “Turismo na Amazônia: entre o desenvolvimento econômico e os impactos ambientais” — demonstrando a atualidade e relevância dos conteúdos trabalhados em sala.
Um dos frutos dessa estratégia pedagógica é o aluno Eli Minev Benzecry (foto), que, aos 17 anos, desenvolveu um projeto de pesquisa sobre o resgate do tubérculo nativo ariá (Goeppertia allouia), tradicional na alimentação indígena e ribeirinha. O trabalho ganhou reconhecimento internacional e levou o estudante a representar o Brasil na International Science and Engineering Fair (ISEF 2025), nos Estados Unidos, inspirando a retomada do cultivo do ariá em comunidades amazônicas.
O caso de Eli simboliza o propósito das escolas: formar jovens que se reconhecem como parte da Amazônia e agem para transformá-la.
“Buscamos equilibrar a identidade amazônica com uma formação acadêmica sólida e global. É possível preparar para o vestibular e, ao mesmo tempo, fortalecer o senso de pertencimento à região”, afirma Fabiano Souza, diretor do Colégio Connexus.
“A educação tem o poder de formar as lideranças que a Amazônia precisa — e isso começa na escola, de forma integrada, coerente e vivencial.”
A proposta das escolas é inspirada em pensadores que ajudaram a decifrar o desenvolvimento da região, como o economista e sociólogo Samuel Benchimol, considerado um dos maiores intelectuais amazônidas do século XX.
Em sua obra, Benchimol defendia que o futuro da Amazônia deveria ser econômica e socialmente justo, politicamente equilibrado e ecologicamente sustentável, com o homem amazônida no centro das decisões. Essa visão — expressa no seu conceito de “Estatuto do Amazônida” — inspira o Projeto Identidade Amazônica do Connexus, que busca formar uma geração capaz de unir ciência, cultura e ética em defesa da floresta e das pessoas que nela vivem.
Em um momento em que líderes mundiais se reúnem em Belém para discutir o futuro da Amazônia, essas escolas de Manaus demonstram que a transformação começa pela educação — no despertar de crianças e jovens que aprendem a cuidar da terra onde vivem.
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Foto: divulgação
