Suframa reage a novo ataque sulista contra a Zona Franca de Manaus

Autarquia rebate artigo do Valor e expõe desigualdade da renúncia fiscal no país: 62% dos incentivos vão para Sul e Sudeste

Suframa - decisão

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 11/11/2025 às 14:51 | Atualizado em: 11/11/2025 às 14:51

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) reagiu com firmeza ao artigo publicado nesta segunda-feira (10 de novembro) pelo jornal Valor Econômico, intitulado “COP em Belém e bilhões para ar-condicionado em Manaus”.

O texto, recebido na indústria da ZFM como mais um ataque recorrente de setores do Sul e Sudeste ao modelo econômico da região Norte, foi classificado pela autarquia como “distorcido e unilateral”.

A Suframa divulgou nota pública refutando as alegações e convidando a imprensa e a sociedade a conhecerem os dados reais do modelo ZFM.

Segundo o órgão, o artigo ignora o papel essencial da ZFM como instrumento de desenvolvimento sustentável e de preservação da floresta em pé.

Dessa forma, por inveja ou má vontade, tenta ignorar, sem conseguir, um modelo que combina industrialização e conservação ambiental em plena Amazônia.

ZFM preserva e gera desenvolvimento

Ao concentrar a atividade industrial em Manaus, a ZFM evita a interiorização do desmatamento e garante subsistência para cerca de 500 mil trabalhadores diretos e indiretos.

O Amazonas figura entre os estados com menor índice de desmatamento da Amazônia, resultado de um modelo que alia produção tecnológica, pesquisa e respeito ambiental.

Em 2023, as indústrias do polo industrial da ZFM faturaram cerca de R$ 170 bilhões, mantendo mais de 112 mil empregos diretos, segundo dados da própria Suframa.

O polo de ar-condicionado, citado de forma pejorativa no artigo, é justamente um dos maiores exemplos de eficiência da indústria nacional: abastece todo o mercado brasileiro e gera milhares de postos de trabalho, com empresas que cumprem rigorosos padrões ambientais e de inovação tecnológica.

Renúncia fiscal é com Sul e Sudeste

A Suframa destacou ainda que é incorreto apresentar a renúncia fiscal da Zona Franca como um custo sem retorno. Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) demonstram que as regiões mais ricas concentram a maior fatia dos incentivos fiscais do país, e não o Norte.

Do total nacional, 62% da renúncia está no Sudeste (46%) e no Sul (16%), enquanto o Amazonas responde por apenas 1,74%.

Além disso, o estado do Amazonas é um dos poucos que recolhe mais impostos federais do que recebe em transferências constitucionais, chegando a uma proporção três vezes superior à média nacional. Em 2022, a participação dos tributos no PIB estadual foi de 16,08%, atrás apenas do Espírito Santo (18,16%) e de Santa Catarina (17,97%), conforme dados do IBGE.

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Tecnologia, PD&I e futuro sustentável

A autarquia lembrou que a Lei de Informática obriga as empresas do polo a investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

Em 2024, o polo industrial da Zona Franca de Manaus registrou faturamento de R$ 204,39 bilhões, equivalente a US$ 37,5 bilhões, conforme dados oficiais divulgados pela Suframa e publicados pelo BNC Amazonas.

Neste ano, até agosto, o faturamento acumulado alcançou R$ 147,69 bilhões, um crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período de 2024.

Somente no primeiro semestre, as indústrias da ZFM movimentaram R$ 110,8 bilhões (US$ 19,41 bilhões), representando uma alta de 13,26% sobre o ano anterior e o melhor desempenho semestral da história recente do modelo.

Entre os segmentos de maior impacto estão o de eletroeletrônicos e ar-condicionado, que abastece praticamente todo o mercado nacional e responde por uma das maiores gerações de emprego e inovação tecnológica da região.

A proposta de “desmame” industrial defendida por articulistas do Sudeste é considerada pela Suframa uma visão míope que desconsidera a complementaridade entre indústria e bioeconomia. O modelo da ZFM é, segundo a nota, a base econômica que viabiliza a transição para novas cadeias sustentáveis, garantindo emprego, renda e estabilidade regional.

Sul se nega a ver ZFM como constitucional

Com garantias constitucionais prorrogadas até 2073, a ZFM segue sendo a principal âncora econômica e ambiental do Norte do país.

A Suframa reafirmou o compromisso com a modernização do modelo, destacando o papel do polo industrial de Manaus como exemplo concreto de economia de baixo carbono e de inclusão social.

A autarquia conclui reiterando que o modelo ZFM é política de Estado, não de governo, e representa uma alternativa real ao extrativismo predatório que destrói a floresta e concentra renda nas regiões mais desenvolvidas do país.

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Leia a nota da Suframa na íntegra:

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) refuta, de forma veemente, as alegações contidas na coluna “COP em Belém e bilhões para ar-condicionado em Manaus”, veiculada em 10 de novembro de 2025 pelo jornal Valor Econômico, que apresenta uma visão distorcida e unilateral sobre o papel da Zona Franca de Manaus (ZFM) e seus incentivos fiscais, especialmente no contexto da sustentabilidade e do combate ao aquecimento global.

A matéria falha ao não reconhecer o principal e inegável papel da ZFM: a preservação da floresta em pé. A ZFM é um instrumento de desenvolvimento socioeconômico e sustentável para a região amazônica que, ao concentrar a atividade industrial em um modelo referenciado como “indústria sem chaminé”, evita a interiorização do desmatamento e de atividades predatórias em uma vasta área da Amazônia Ocidental. Além disso, o modelo Zona Franca tem sido, ao longo de décadas, a âncora econômica que garante a subsistência de milhões de pessoas na região, gerando cerca de 500 mil empregos — diretos, indiretos e terceirizados — e consolidando o Amazonas como um dos estados com menor índice de desmatamento do bioma.

Nada obstante, é incorreto apresentar a renúncia fiscal como um custo sem retorno, sugerindo que os recursos poderiam ser melhor aplicados. O Estado do Amazonas é um dos poucos da Federação que recolhem mais impostos federais do que recebem em transferências constitucionais, em uma proporção superior a três vezes nos últimos anos, além de ter uma das maiores participações dos tributos na composição do PIB entre as unidades da Federação. Em 2022, essa participação foi de 16,08%, atrás apenas do Espírito Santo (18,16%) e de Santa Catarina (17,97%), de acordo com os dados das Contas Regionais do IBGE.

Também a esse respeito, estudo da Fundação Getúlio Vargas que avaliou os gastos tributários no Brasil e o custo fiscal da Zona Franca de Manaus revelou que as regiões mais ricas, como o Sudeste e o Sul, têm as maiores contribuições para a renúncia fiscal no país. Esse padrão se repete tanto no caso de gastos tributários federais quanto estaduais. Do montante global de renúncia, 62% do gasto é destinado para as regiões Sudeste (46%) e Sul (16%). O estudo aponta ainda que, quando se compara com a arrecadação da União nos estados como proporção dos gastos tributários federais recebidos, São Paulo se destaca com 6,44%, seguido do Rio de Janeiro (6,42%) e de Santa Catarina (5,18%). O estado do Amazonas devolve mais do que recebe de renúncia, uma vez que seu percentual é de 1,74%.

Em relação à crítica sobre a produção de condicionadores de ar na ZFM, a concentração de empresas que produzem equipamentos de refrigeração e eletroeletrônicos no PIM decorre do modelo de compensação fiscal que atrai indústrias de alta tecnologia para o centro da Amazônia. Além disso, a Lei de Informática exige que as empresas invistam em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), alocando recursos que chegaram a R$ 1,48 bilhão em 2023 em projetos que geram impacto real na região. A sugestão de “desmame gradual” da indústria em favor da bioeconomia desconsidera a complementaridade entre os setores. O modelo da ZFM é o instrumento fundamental que, ao garantir a estabilidade econômica e social, cria condições para que a bioeconomia e outras atividades sustentáveis possam florescer na região.

A Suframa reitera seu compromisso com a modernização e a adequação do modelo ZFM, amparado constitucionalmente até 2073, para que o desenvolvimento regional continue a ser uma âncora de preservação ambiental e um farol de sustentabilidade para o Brasil e o mundo.

Atenciosamente,

Superintendência da Zona Franca de Manaus

Foto: Suframa/divulgação