Às vésperas da COP-30, Amazônia tem queda recorde no desmatamento

O Amazonas é o quinto da região com menor taxa de redução, 16,93%. Tocantins é o primeiro, com 62,5%

Savanização da Amazônia tem como causa o desmatamento para agropecuária

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 30/10/2025 às 18:40 | Atualizado em: 30/10/2025 às 18:40

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou nesta quinta-feira (30 de outubro) mais um índice recorde de queda do desmatamento na Amazônia nos últimos 11 anos.

De agosto de 2024 a julho de 2025, a área desmatada na região atingiu 5.796 km².

Isso representa uma queda de 11,08% em relação ao período anterior (agosto de 2023 a julho de 2024).

O Amazonas é o quinto da região com menor taxa de redução, 16,93%.

Tocantins é o primeiro com diminuição de área desmatada de 62,5%, seguido do Amapá, de 48,15%, Acre, de 27,62% e Maranhão, de 26,06%. No Mato Grosso, foi identificado aumento de 25,06%.

No período estudado, foram desmatados 1.223 km² no Amazonas, em 2024, e neste ano 1.016 km², o que equivale a redução de quase 17%.

Leia mais

Amazônia: desmatamento é ameaça à captura de carbono, diz estudo

De acordo com o Prodes, Pará, Mato Grosso e Amazonas correspondem a 80,84% do desmatamento estimado para este ano.

No geral, trata-se da terceira menor taxa da série histórica, que começou a ser medida em 1988.

Desse modo, desde o início do governo do presidente Lula da Silva houve o terceiro ano consecutivo de redução, um acúmulo de 50% em relação a 2022.

A notícia é considerada boa, haja vista que o país está há pouco dias da realização da COP-30, em Belém (PA).

Redução de gás carbônico

“Com o resultado, foi evitada a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO2 e por desmatamento na Amazônia e Cerrado desde 2022. O valor equivale às emissões relativas a 2022 de Espanha e França somadas”, diz nota do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

A ministra Marina Silva diz que a redução do desmatamento nos dois biomas é a confirmação de que a agenda ambiental é prioritária e transversal no governo Lula.

“Isso é fundamental para que o país contribua ao enfrentamento à mudança do clima em nível global, o que beneficia diretamente a vida dos brasileiros e brasileiras, que já enfrentam, em diferentes medidas, os impactos crescentes do aquecimento global em forma de eventos extremos, por exemplo”.

Para ela, combater o desmatamento e proteger o meio ambiente são condicionantes para que o Brasil alcance o desenvolvimento econômico em bases sustentáveis e gere prosperidade para sua população.

Desmatamento zero

Na avaliação do governo, os números são fruto do compromisso em zerar o desmatamento em todo o país até 2030 e das ações implementadas desde o início da gestão do presidente Lula.

Entre elas, a reestruturação da governança ambiental, com a criação de planos de ação para prevenção e controle do desmatamento para a Amazônia, o Cerrado e demais biomas brasileiros, e a retomada da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas.

Foto: Agência Brasil