Show de Mariah Carey da COP-30 é investigado
Inquérito civil foi aberto pela Procuradoria da República no Pará.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 23/10/2025 às 11:24 | Atualizado em: 23/10/2025 às 11:24
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar os possíveis impactos socioambientais causados pelo show da cantora norte-americana Mariah Carey, como parte da COP-30.
Dessa forma, o evento foi realizado no mês passado sobre um palco flutuante instalado nas águas do rio Guamá, em Belém (PA).
Conforme apurou a Coluna Radar, por Robson Bonin, na Veja, a investigação, conduzida pela Procuradoria da República no Pará, busca apurar se o evento — parte do projeto Amazônia Live — afetou comunidades tradicionais que vivem no entorno do local e se houve violação do direito à consulta prévia, livre e informada, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.
De acordo com o MPF, a instalação da estrutura e o grande fluxo de pessoas e embarcações na área podem ter provocado danos ambientais e socioculturais às comunidades ribeirinhas e indígenas que habitam a região. O órgão quer esclarecer ainda se foram realizados estudos de impacto e se houve autorização dos órgãos ambientais competentes antes da realização do espetáculo.
O Amazônia Live foi apresentado como um evento de conscientização sobre a preservação ambiental, reunindo artistas nacionais e internacionais. A apresentação de Mariah Carey, que marcou sua primeira vinda à Amazônia, foi amplamente divulgada como um marco cultural e turístico para Belém.
Apesar disso, lideranças locais e entidades socioambientais questionaram a falta de diálogo com as comunidades afetadas e os riscos ecológicos do palco flutuante.
O MPF informou que está requisitando informações de órgãos públicos federais e estaduais, além da empresa organizadora do evento, para avaliar a regularidade da iniciativa e eventuais responsabilidades.
Se forem constatadas irregularidades, o caso poderá resultar em medidas administrativas, civis ou judiciais para reparar os danos e garantir o cumprimento dos direitos das populações tradicionais da Amazônia.
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Foto: divulgação
