MP processa câmara de Humaitá por falta de transparência desde 2021

Ministério Público do Amazonas cobra regularização do portal da transparência na informação dos gastos do dinheiro público

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 22/10/2025 às 15:51 | Atualizado em: 22/10/2025 às 15:51

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) ajuizou uma ação civil pública contra a Câmara Municipal de Humaitá por descumprir, desde 2021, as normas de transparência e impedir o controle social sobre os gastos públicos.

A medida, proposta pela 1ª Promotoria de Justiça do município, aponta falhas persistentes no portal oficial do Legislativo, mesmo após anos de recomendações e alertas.

Resistência ao controle público

A investigação teve início com inquérito (040.2020.000353), instaurado em 2021, após denúncias sobre a ausência de informações básicas no portal da câmara.

Ainda naquele ano, o MP-AM emitiu recomendação formal para que o Legislativo regularizasse a situação e garantisse o acesso da população a dados sobre despesas, licitações e folha de pagamento.

Três anos depois, as falhas permanecem. Segundo o promotor de Justiça Sylvio Henrique Estrada, o problema vai além da simples desatualização: trata-se de resistência à transparência.

“Embora tenham ocorrido alguns avanços, ainda persistem problemas sérios, como a indisponibilidade do site e a ausência de atualização dos dados, o que compromete a fiscalização da sociedade”, afirmou o promotor.

MP pede liminar e multa

Com base nas novas denúncias de 2025, o MP-AM pede que a Justiça conceda tutela de evidência com medida liminar, obrigando a câmara a cumprir o artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal e o artigo 8º da Lei de Acesso à Informação.

O órgão também requer que, em caso de descumprimento injustificado, as multas aplicadas sejam revertidas ao patrimônio pessoal do responsável direto pelas omissões.

“A persistência dessa opacidade administrativa é inaceitável em uma casa que deveria ser exemplo de publicidade dos atos públicos”, destaca trecho da ação.

A iniciativa marca um novo passo na cobrança por transparência no interior do Amazonas, onde câmaras municipais ainda tratam a divulgação de informações públicas como um ato de conveniência, e não como dever legal.

Foto: reprodução/youtube