PGR afirma que anistia a crimes contra democracia fere Constituição

Gonet diz que atos de 8 de janeiro não podem ser perdoados por lei, mas reconhece que articulações políticas sobre o tema estão protegidas pela liberdade de expressão

Trama golpista: fala de Paulo Gonet expõe papel decisivo das Forças Armadas

Publicado em: 17/10/2025 às 21:46 | Atualizado em: 17/10/2025 às 21:48

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do procurador-geral Paulo Gonet, afirmou que conceder anistia a condenados por crimes contra a democracia, como os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, é incompatível com a Constituição Federal.

Segundo Gonet, esse tipo de perdão “não encontra respaldo constitucional”, com base nos artigos 5º, incisos XLIII e XLIV, que vedam anistia a crimes hediondos, terrorismo e ações armadas contra o Estado Democrático de Direito.

O procurador ressaltou, contudo, que as articulações políticas em defesa de um projeto de anistia não configuram crime e estão dentro dos limites da liberdade de expressão.

Leia mais

Não escapa um dos golpistas de Bolsonaro nas mãos da PGR

A manifestação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no contexto de um pedido de arquivamento de ação contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apresentado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP).

A representação foi motivada por críticas de Tarcísio ao ministro Alexandre de Moraes e seu apoio ao chamado “PL da Anistia”.

O ministro Moraes acompanhou o parecer da PGR e determinou o arquivamento do processo.

Leia mais no UOL

Foto: Antonio Augusto/STf