Quem matou indígena Tadeo Kulina?

Isso sim é o que se quer saber do caso ocorrido em Manaus. MP-AM ‘exumou’ inquérito.

Publicado em: 16/10/2025 às 09:21 | Atualizado em: 16/10/2025 às 09:22

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) decidiu reabrir o inquérito sobre a morte do indígena Tadeo Kulina, após novas evidências virem à tona por meio do podcast Dois Mundos, produzido pela Folha de S.Paulo. O órgão deu 90 dias para que a Polícia Civil refaça a investigação.

O caso ocorreu em fevereiro de 2024, quando Tadeo deixou sua aldeia, no médio rio Juruá, e percorreu 1.200 quilômetros até Manaus em uma UTI aérea, acompanhando a esposa Ccorima, grávida de alto risco. Após o parto, desapareceu da maternidade e foi encontrado morto com marcas de agressão.

A primeira investigação concluiu que a morte foi acidental, e o inquérito acabou arquivado. Mas a apuração jornalística revelou falhas graves, como ausência de perícia no local e testemunhas ignoradas pela polícia.

Com base nas novas informações, a Defensoria Pública e a Organização dos Povos Indígenas da Calha do Rio Juruá (Opiju) pediram à Justiça o desarquivamento do caso, representadas pelos defensores Daniele dos Santos Fernandes, João Gustavo Fonseca e pelo advogado Mauricio Terena.

O promotor Flávio Mota Silveira, da 89ª Promotoria de Justiça de Manaus, acolheu os pedidos. “Os pleitos sustentam a existência de novas provas, revelando elementos indicativos de ação humana na morte da vítima, bem como lacunas e caminhos investigativos que só podem ser sanados mediante a reabertura das investigações”, afirmou.

O MP determinou novas oitivas, incluindo Ccorima, o irmão de Tadeo (com intérprete) e os policiais militares envolvidos no caso, para esclarecer contradições sobre o momento da queda, o tempo em que ele ficou sob custódia e possíveis agressões por populares ou agentes públicos.

O órgão também exigiu que seja feita, enfim, a perícia no lava-rápido onde Tadeo teria caído — ponto central da versão oficial da polícia, que atribuiu a morte a esse acidente.

Por enquanto, a Promotoria negou o envio do caso à Polícia Federal, mas reconheceu que há “novas provas e testemunhos essenciais”. A nova fase da apuração tenta responder a uma pergunta que insiste em ecoar desde o início do ano: quem matou Tadeo Kulina?

Saiba mais na matéria de Vinicius Sassine, na Folha de S. Paulo.

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Foto: divulgação