Dori Caymmi encara momento antimusical do Brasil com ‘Utopia’
O artista vê a MPB doente com tanto mau gosto
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 14/10/2025 às 16:00 | Atualizado em: 14/10/2025 às 16:05
Aos 82 anos, o violonista e compositor Dori Caymmi lançou recentemente o álbum Utopia, produzido por Jorge Helder. Para o artista, o título do disco reflete a situação da música popular de qualidade no Brasil.
“Estamos vivendo um momento tão antimusical. A música brasileira está doente com tanto mau gosto”, afirma.
Dori se posiciona como uma resistência em meio ao que chama de “tanta vulgaridade” e critica o sucesso fácil. Por isso, segundo ele, seu álbum não teria ampla divulgação.
“Não posso botar uma roupa brilhante, chamar 12 bailarinos e fazer um show dançável para todo mundo gostar. É uma coisa do passado mesmo”, explica.
O parceiro de longa data em canções, Paulo César Pinheiro, compartilha a preocupação do compositor. Para ambos, o excesso de mau gosto contribuiu para que Dori deixasse de criar melodias isoladas.
Além disso, Dori evita o palco e gestos de autopromoção. Ele usa o humor para criticar modismos e tendências atuais.
“Basta contrariar o mau gosto para ser chamado de reacionário. Ser chamado de purista já não me importa muito, não”, afirma.
O compositor reprova gêneros como o sertanejo, o trio elétrico e o rock brasileiro comercial.
Sobre o tropicalismo, diz: “Discordo da coisa agressiva do movimento desde que nasceu”, e provoca a cultura contemporânea:
“Grande parte do Brasil é vendida ao celular, a esse negócio de enriquecer e dar golpe nas pessoas. Está muito sujo tudo. E tem muita tatuagem também”, ironiza.
Fora do digital, Dori não usa celular e não administra suas postagens no Instagram. Sobre fama e seguidores, é categórico:
“Não quero que ninguém me siga. Só aqueles que gostam da minha música”.
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Foto: Paula Giolito / Folhapress
