Fraude no INSS: associação pediu desconto para pessoa morta há 23 anos

Investigação da CGU revela que entidade de Brasília incluiu mais de 27 mil falecidos em pedidos de desconto no INSS

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Publicado em: 13/10/2025 às 21:18 | Atualizado em: 13/10/2025 às 21:18

A Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), sediada em Brasília, é apontada pela Controladoria-Geral da União (CGU) por solicitar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) descontos associativos em nome de pessoas mortas há mais de duas décadas, incluindo um caso de 23 anos. 

O episódio integra o escândalo conhecido como “Farra do INSS”, que revelou um esquema bilionário de fraudes envolvendo entidades que descontavam mensalidades indevidas de aposentados e pensionistas em todo o país.

Segundo as investigações, a AAB solicitou a inclusão de pessoas mortas em descontos associativos mais de 27 mil vezes.

Para a CGU, o caso indica tentativa de fraude e falsificação de documentos, já que é “juridicamente impossível a manifestação de vontade por pessoa falecida”.

No entanto, a AAB não é a única envolvida. De um total de 38 entidades autorizadas pelo INSS a realizar descontos, 31 também pediram a inclusão de segurados já mortos.

O levantamento identificou 204 mil ocorrências desse tipo em todo o país.

Segundo a CGU, as associações buscavam inflar artificialmente o número de filiados e aumentar seus ganhos com descontos em folha. Esses valores chegaram a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as entidades acumulam milhares de ações judiciais movidas por aposentados e pensionistas.

O esquema é alvo de investigação da Polícia Federal e motivou a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril, que resultou na demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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Foto: Henry Milleo/Agência Brasil