Gravidez na adolescência cai 53% em Manaus em dez anos

Capital registra queda acima da média nacional, mas ainda tem 14% dos nascimentos entre jovens de até 19 anos

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 13/10/2025 às 16:15 | Atualizado em: 13/10/2025 às 16:15

Manaus registrou uma queda expressiva de 53% nos casos de gravidez entre adolescentes nos últimos dez anos, segundo levantamento da Semsa (Secretaria Municipal de Saúde).

O avanço é considerado significativo, já que a redução no total de nascimentos em todas as faixas etárias, no mesmo período, foi de 27%, ou seja, metade do ritmo observado entre adolescentes.

Números que chamam atenção

AnoNascidos vivos de mães com menos de 20 anos
20159.238 casos
20225.167 casos
20234.961 casos
20244.344 casos
2025 (até 6 de outubro)3.242 casos registrados

Mesmo com a redução, o índice atual representa 14% de todos os nascimentos na capital, colocando Manaus próxima da média nacional, mas abaixo da média do Amazonas, que chega a quase 20%. Há municípios do interior com taxas que ultrapassam 37%.

Riscos e impacto social

A chefe do núcleo de atenção à saúde da criança e do adolescente da Semsa, Janaína de Sá Terra, alerta que a gravidez precoce ainda representa um risco grave:

– Maior chance de eclâmpsia

– Anemia e carência nutricional

– Risco de parto prematuro, aborto e baixo peso do bebê

– Aumento de cesarianas por conta da pelve ainda em desenvolvimento

Além das complicações de saúde, a gestação precoce afeta a vida social das jovens:

70% das adolescentes são abandonadas pelos pais da criança, segundo estudos citados pela Semsa.

O abandono escolar, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho e o ciclo de vulnerabilidade social são consequências diretas.

Prevenção nas escolas e na saúde

Para manter a curva de redução, a Semsa reforçou ações como:

– Programa Saúde na Escola (PSE) com rodas de conversa sobre sexualidade e direitos;

– Cartilha para adolescentes e manual para profissionais de saúde;

– Participação na Expo do Cuidado, em parceria com o UNFPA;

– Oferta de métodos contraceptivos gratuitos, incluindo DIU e implante subdérmico, que deverá ser disponibilizado para meninas a partir de 14 anos;

Janaína reforça que adolescentes podem buscar atendimento sozinhos nas unidades de saúde, com garantia de sigilo, conforme o ECA, uma medida considerada essencial para autonomia e prevenção.

Avanço e vigilância

A Semsa celebra o avanço, mas reconhece que 14% ainda está longe do ideal para a saúde pública.

“A redução contínua é um sinal de que as políticas estão funcionando, mas ainda temos um caminho importante para reduzir os riscos e garantir o futuro dessas adolescentes”, afirma Janaína.

Foto: Semcom