MP e PRF unem forças contra tráfico de madeira no Amazonas

Órgãos criam canal direto para combater tráfico de madeira e desmatamento ilegal no Amazonas

Aguinaldo Rodrigues, da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 10/10/2025 às 11:44 | Atualizado em: 10/10/2025 às 11:44

O combate ao tráfico de madeira clandestina e ao desmatamento ilegal no Amazonas ganhou um novo passo de integração institucional. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) firmaram, nesta quinta-feira (9 de outubro), um alinhamento estratégico para fortalecer a repressão aos crimes ambientais registrados nas rodovias federais que cortam o estado.

A reunião ocorreu na sede do MP e teve como foco principal a criação de mecanismos de comunicação direta e padronizada entre as duas instituições, visando acelerar o encaminhamento de casos de apreensão de madeira irregular e garantir mais eficiência na responsabilização judicial dos infratores.

Agilidade contra o desmatamento

O promotor de Justiça Carlos Sérgio Freitas, que conduziu o encontro, destacou que a cooperação permitirá reduzir a morosidade no tratamento das ocorrências registradas pela PRF.

“A reunião teve por objetivo alinhar formas de atuação entre a Polícia Rodoviária Federal e o Ministério Público com relação à repressão e ao processamento de ocorrências relacionadas, sobretudo, à apreensão de madeira nas rodovias federais. É necessário um processamento mais rápido dessas ocorrências para que sejam levadas à apreciação do Judiciário”, afirmou o promotor.

Segundo ele, a lentidão na tramitação das apreensões de madeira ilegal pode favorecer a impunidade e enfraquecer o trabalho das forças de fiscalização no combate ao desmatamento.

Integração Manaus-Brasília

Pela PRF, participaram da reunião Nelson Barroncas, chefe da seção de operações do Amazonas; Athos André Razanauskas Lino, chefe substituto da unidade; e representantes da sede em Brasília — Marcelo David de Lima Carvalho, Thatiane Araújo Freitas e Rebeca Cavalcante de Oliveira.

Os órgãos acordaram a criação de um canal direto de comunicação para o envio de informações sobre apreensões, relatórios técnicos e provas, garantindo que o Ministério Público possa agir rapidamente em cada caso, reduzindo o tempo entre a autuação e o oferecimento das ações judiciais.

Efetividade nas responsabilizações

A expectativa é que a parceria fortaleça a cadeia de responsabilização de crimes ambientais, especialmente em trechos críticos das BRs que cortam o Amazonas, onde é frequente o transporte de madeira oriunda de áreas de desmatamento ilegal.

O MP e a PRF avaliam que a padronização dos procedimentos permitirá um fluxo contínuo de informações e provas, contribuindo para elevar o índice de condenações e desarticular redes envolvidas no comércio ilegal de madeira e outros recursos florestais.

Como age o tráfico de madeira no Amazonas

– Rotas clandestinas: o escoamento ocorre por rodovias federais e vicinais, principalmente nas BR-174, BR-319 e BR-230, conectando áreas de desmate ao eixo Manaus–Porto Velho.

– Documentos falsos: quadrilhas utilizam guias florestais adulteradas e empresas de fachada para dar aparência de legalidade ao produto.

– Impacto ambiental: cada caminhão apreendido representa dezenas de árvores derrubadas ilegalmente, agravando o desmatamento e o avanço de áreas degradadas sobre unidades de conservação e terras indígenas.

*Com informações do MP-AM.

Foto: Hirailton Gomes/MP