Defensoria Pública do Amazonas, por que não a CPI do garimpo?
Propor CPI apenas para apurar supostos abusos da PF significa atacar sintomas, mas não a doença
Neuton Corrêa, do BNC Amazonas
Publicado em: 10/10/2025 às 06:37 | Atualizado em: 10/10/2025 às 06:37
A proposta de abertura de CPI para investigar a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao garimpo ilegal no Amazonas chega carregada de estranhamento por sua fragilidade lógica.
Para começar, o remédio foi proposto pela Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), que preferiu tratar o problema com um remédio político ao invés de técnico-jurídico, sua vocação.
O objetivo da DPE-AM é apurar supostos excessos e abusos de autoridades durante uma operação conduzida pela PF e outros órgãos na calha do rio Madeira, entre as cidades de Humaitá e Manicoré. Essa ação aconteceu no mês passado.
A iniciativa é louvável, mas ataca a febre e não a infecção. Porque a ação policial não é o único problema do garimpo no Amazonas e na Amazônia, que, para começar, funcionam ao arrepio da lei.
O garimpo, desde sempre, é uma atividade a serviço do crime, que esgota as riquezas do subsolo e que só deixa mazelas para o poder público, sem, contudo, sequer, recolher contribuições ao país. Isso sem contar os danos ambientais.
Hoje, ainda mais, o garimpo se tornou um território fértil para o tráfico, para lavagem de dinheiro do crime organizado.
É o narcogarimpo que usa as populações ribeirinhas para executar seus mais diversos crimes com a conivência e até com associação de políticos da região.
Assim sendo, o que tem que ser investigado não é somente a ação pontual da Polícia Federal. Todo o garimpo na Amazônia. O país precisa saber que financia esses crimes, quem se beneficia e quem, realmente, são as vítimas desse mundo sem lei.
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Foto: Bruno Kelly/Greenpeace Brasil
