AMACRO se consolida como novo epicentro do desmatamento na Amazônia
Região na fronteira entre Amazonas, Acre e Rondônia responde por 76% da destruição florestal nos três estados; avanço é impulsionado por pecuária, grilagem e especulação fundiária.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 05/10/2025 às 16:08 | Atualizado em: 05/10/2025 às 16:08
Um novo e alarmante epicentro do desmatamento se consolidou na Amazônia brasileira. Conhecida como AMACRO, uma vasta área de 454 mil quilômetros quadrados que abrange 32 municípios na fronteira entre Amazonas, Acre e Rondônia, tornou-se o principal foco de destruição da floresta nos últimos anos.
De acordo com um estudo divulgado pela Agência FAPESP, em março de 2024, a região foi responsável por 76% de todo o desmatamento registrado nos três estados entre 2018 e 2022, ganhando o título de “novo arco do desmatamento”. Como informa o site CPG.
A escalada da devastação na AMACRO não é um fenômeno isolado, mas o resultado de uma pressão coordenada para a expansão da fronteira agropecuária. Segundo o levantamento, o avanço é impulsionado principalmente pela pecuária extensiva, pela especulação de terras e pela grilagem, configurando um processo sistêmico que transforma rapidamente a paisagem florestal em pastagens.
Essa dinâmica tem intensificado conflitos socioambientais e colocado em xeque a capacidade do Estado de proteger territórios e garantir a legalidade na região, considerada uma das mais cobiçadas do bioma amazônico.
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“Novo arco do desmatamento”
O termo AMACRO designa uma zona de planejamento estratégico criada com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. No entanto, segundo o estudo, o projeto acabou sinalizando ao mercado uma nova fronteira para a expansão de commodities, abrindo caminho para a intensificação do desmatamento.
A pressão sobre a área cresceu especialmente a partir de 2018, com o planejamento da chamada Zona de Desenvolvimento Sustentável (ZDS) Abunã-Madeira — iniciativa apelidada de “Matopiba do Norte”, em referência à fronteira agrícola do Centro-Norte brasileiro.
O projeto acabou funcionando como um gatilho para a corrida por terras, atraindo grileiros e pecuaristas interessados na valorização imobiliária e na expansão de seus negócios.
Floresta convertida em pasto
A análise geoespacial apresentada no estudo indica que a AMACRO representa a vanguarda da conversão de floresta para uso agropecuário, um processo histórico na Amazônia. Dados do MapBiomas mostram que, entre 1985 e 2020, 99% dos 44,5 milhões de hectares desmatados no bioma foram destinados à agropecuária.
Deste total, 86,3% viraram pastagens, o que evidencia o papel central da pecuária extensiva no avanço da destruição. A AMACRO, portanto, é descrita pelos pesquisadores como o capítulo mais recente e agressivo dessa longa história de substituição da floresta por pasto, consolidando um modelo de ocupação que avança sobre terras públicas e áreas protegidas.
O principal motor econômico por trás da devastação continua sendo a pecuária extensiva, frequentemente associada à grilagem de terras — uma combinação que, segundo especialistas, mantém a Amazônia sob ameaça e impõe novos desafios à governança ambiental na região.
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Foto: PF/AC
