Governo Lula mira fim do 6×1 e tarifa zero após ampliar isenção do IR
Governo quer aproveitar alta popularidade para avançar em pautas trabalhistas e sociais
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 05/10/2025 às 08:35 | Atualizado em: 05/10/2025 às 08:35
Após a aprovação da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais e o aumento na aprovação popular do governo, o presidente Lula da Silva (PT) pretende investir em novas pautas de apelo social: o fim da escala 6×1 e a tarifa zero no transporte público.
O Palácio do Planalto deve reunir, nos próximos dias, líderes da base aliada para tentar destravar a tramitação dessas propostas na Câmara dos Deputados. Como informa o Uol.
Reunião para alinhar estratégias
Durante um encontro entre a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) — autora da PEC que reduz a jornada de trabalho — e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ficou acertada uma reunião com lideranças de partidos de esquerda, como PT, PSOL, PCdoB e PSB, para discutir estratégias e viabilidade política do tema.
Partidos do chamado “centrão governista”, como MDB e PSD, também serão convidados.
Segundo Hilton, o objetivo do governo é “entender como eles estão se posicionando e qual texto querem construir para tentar criar um consenso entre as lideranças”.
“O governo entende que é uma boa proposta, que ganhou tração e não pode deixar essa bola quicando”, afirmou a deputada ao Uol.
Leia mais
Com isenção do IR, Lula ganha arma eleitoral de peso para 2026
Jornada de quatro dias por semana
Ainda segundo a publicação, a proposta de Erika Hilton altera o trecho da Constituição Federal que trata da jornada de trabalho. O texto estabelece uma semana de quatro dias úteis, com oito horas diárias e 36 horas semanais, mantendo a possibilidade de acordos ou convenções coletivas para ajustar horários e compensações.
Modelos semelhantes já são testados em diversos países, como Reino Unido, Islândia e Espanha, com resultados positivos em produtividade e qualidade de vida, segundo estudos internacionais.
Resistência do setor produtivo
Apesar do apoio dentro da base governista, a proposta enfrenta forte resistência de entidades empresariais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirma que a mudança pode gerar prejuízos à competitividade, especialmente para micro e pequenas empresas, e aumentar custos trabalhistas.
De acordo com a CNI, a redução da jornada sem corte proporcional de salários “poderia impactar negativamente a geração de empregos e a sustentabilidade financeira das empresas”.
Próximos passos
Com o cenário político mais favorável, o governo Lula quer aproveitar o bom momento para ampliar o diálogo e impulsionar pautas de impacto direto sobre a vida dos trabalhadores.
A expectativa é que as conversas com líderes partidários ocorram ainda neste mês, com a meta de avaliar o apoio da base e definir um texto de consenso antes de levar o tema ao plenário.
Além disso, em outra frente, o governo quer emplacar a tarifa zero no transporte público. A pedido de Lula, o Ministério da Fazenda está elaborando um estudo sobre a viabilidade da gratuidade todos os dias. O levantamento deve ser entregue ainda neste ano ao chefe do Executivo.
Leia mais no Uol.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
