Por que deputada do PT não deu o sim à isenção do IR de Lula?
Luizianne Lins foi sequestrada. Entenda o fato.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 02/10/2025 às 15:46 | Atualizado em: 02/10/2025 às 15:49
A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) virou destaque internacional nesta semana ao integrar a flotilha humanitária Global Sumud, detida por forças israelenses quando seguia rumo à Faixa de Gaza com mantimentos e voluntários.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, a parlamentar afirmou ter sido “sequestrada” e levada contra a sua vontade para o porto israelense de Ashdod, ao lado de outros ativistas estrangeiros.
Enquanto a flotilha era interceptada, a Câmara dos Deputados aprovava, em Brasília, nesta noite do dia 1⁰ de outubro, o projeto do governo Lula da Silva que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma das principais promessas de campanha do presidente.
Luizianne, porém, não participou da votação, fato que chamou atenção justamente por se tratar de uma parlamentar da base do governo.
Missão em Gaza
Segundo a própria deputada, sua ausência no plenário se deveu exclusivamente à participação na missão humanitária internacional, planejada há meses.
A flotilha contava com embarcações de diferentes países e tinha como meta entregar ajuda diretamente à população palestina, rompendo o bloqueio imposto por Israel.
O episódio gerou repercussão diplomática: o Itamaraty divulgou nota exigindo que fossem respeitados os direitos dos brasileiros retidos, entre eles Luizianne.
Até a noite de quarta-feira, o governo brasileiro monitorava as condições da parlamentar e dos demais passageiros.
IR aprovado sem votos da parlamentar
Na votação do projeto de lei, o texto foi aprovado por ampla maioria, garantindo a isenção para rendimentos de até R$ 5 mil e ajustes na tabela progressiva.
Embora a ausência de Luizianne não tenha alterado o resultado, chamou a atenção entre aliados e opositores, justamente porque o governo fez da medida um símbolo de alívio tributário para trabalhadores de baixa renda.
“A ausência da deputada não representa dissidência política, mas o choque de agendas entre uma missão internacional humanitária e a tramitação acelerada do projeto na Câmara”, observou um colega de bancada do PT.
Entre Gaza e Brasília
O caso evidencia como a atuação de parlamentares pode extrapolar as fronteiras nacionais e, em certos momentos, colidir com votações consideradas estratégicas pelo governo.
No caso de Luizianne, sua presença na flotilha humanitária acabou criando uma coincidência política: enquanto denunciava Israel por “sequestro”, sua cadeira no plenário ficou vazia num dos votos mais aguardados da gestão Lula no ano.
Sorte da deputada que seu voto não influenciou no resultado final.
Assista ao vídeo publicado nas redes sociais:
Foto: Reprodução/Redes Sociais
