Mais que uma pedra, um pedral no caminho do agro nos rios da Amazônia
Justiça faz inspeção na hidrovia na luta de comunidades tradicionais contra destruição do Pedral do Lourenço.
Publicado em: 30/09/2025 às 09:36 | Atualizado em: 30/09/2025 às 09:44
O juiz federal André Luís Cavalcanti Silva conduziu, entre os dias 29 e 30 de setembro, a inspeção judicial no Pedral do Lourenço, no rio Tocantins (PA). O ponto é considerado estratégico para a Hidrovia Araguaia-Tocantins, mas também concentra a resistência de comunidades tradicionais, que denunciam riscos socioambientais caso a obra avance.
A diligência percorreu vilas como Tauiry, Saúde, Pimenteira e Praia Alta, ouvindo pescadores e agroextrativistas que relatam impactos sobre a pesca, a água e a rotina da região. A medida faz parte do processo aberto pelo Ministério Público Federal (MPF), que contesta falhas no licenciamento ambiental.
“O pedral abriga espécies que só existem ali. Se for explodido, muitas vão desaparecer sem ao menos serem conhecidas. Não há compensação possível”, alertou o pesquisador Alberto Akama, do Museu Emílio Goeldi.
Entre as lideranças locais, o sentimento é de abandono. Ronaldo Macena, presidente da Associação das Comunidades Ribeirinhas do Pedral do Lourenço (Acrevita), questionou a postura do governo:
“Para nós, povos tradicionais, foi até uma surpresa a assinatura dessa Licença de Instalação nesse governo [do Lula]. A gente sabe que esse [governo do PT] é de mais diálogo, mas, pelo menos com a gente, até agora esse diálogo não aconteceu”.
Nesse contexto, a obra orçada em R$ 1 bilhão é defendida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) como essencial para escoar a produção agrícola do Centro-Oeste até os portos do Norte.
Já pesquisadores e movimentos sociais afirmam que a hidrovia repete erros de megaprojetos como Tucuruí e Belo Monte, priorizando grandes grupos do agronegócio em detrimento de ribeirinhos, pescadores e indígenas.
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Foto: divulgação/Ministério dos Transportes
