‘BR-319: vidas na lama’ expõe drama de comunidades isoladas
Documentário lançado em Manaus mostra o cotidiano de quem vive na dependência da rodovia mais polêmica da Amazônia e cobra ação do poder público
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 30/09/2025 às 05:54 | Atualizado em: 30/09/2025 às 07:15
O descaso histórico com a BR-319, única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país, ganhou forma e voz no documentário “BR-319: vidas na lama”, lançado nesta segunda-feira (29).
Assim, a obra, iniciativa do deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) em parceria com o empresário Matheus Garcia, percorreu mais de 4 mil quilômetros para registrar a dura realidade enfrentada por milhares de famílias às margens da estrada.
Dessa maneira, o filme retrata a vida de comunidades que permanecem em isolamento, sem acesso a saúde, educação, água potável ou transporte adequado.
Depoimentos mostram famílias que perdem parentes por falta de atendimento médico, caminhoneiros que amargam prejuízos com cargas perdidas em atoleiros e ribeirinhos obrigados a consumir água contaminada.
“Não é só buraco e lama. É gente que perde parente porque a ambulância não passa, é criança sem escola ou posto de saúde. Esse documentário é uma forma de amplificar vozes que não podem ser esquecidas”, afirmou Mandel durante a coletiva de lançamento.
Apesar do tom de denúncia, o documentário também revela momentos de resistência e solidariedade entre os que dependem da rodovia.
Por exemplo, um dos personagens centrais é Joel, conhecido como ‘sentinela da BR’, que transformou sua dor em missão: monitorar trechos da estrada e auxiliar motoristas em risco.
Para Matheus Garcia, a precariedade da BR-319 vai além da mobilidade: “Cada acidente representa histórias interrompidas. São famílias que sofrem, trabalhadores que perdem dias de serviço, pessoas que deixam de ter atendimento médico. Isso não pode continuar sendo ignorado”.
Sobretudo, mais do que registrar a lama que engole veículos, o documentário propõe um debate sobre as consequências humanas da omissão estatal.
Assim sendo, com imagens impactantes e relatos emocionantes, “Vidas na Lama” busca deslocar a discussão do campo ideológico e provocar uma reflexão sobre como conciliar mobilidade, dignidade e sustentabilidade no futuro da rodovia.
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Sinopse
Em “BR-319: vidas na lama”, Amom Mandel e Matheus Garcia percorrem uma das rodovias mais perigosas e abandonadas do Brasil – a única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país. Durante dias de viagem por buracos, atoleiros e pontes improvisadas, o documentário mostra que a BR-319 não é apenas uma estrada esquecida pelo Estado: ela é um símbolo de tudo que está errado na forma como tratamos a Amazônia e quem vive nela.
Com um olhar humano e crítico, Amom expõe o cotidiano de quem depende dessa estrada para trabalhar, buscar atendimento médico ou simplesmente sobreviver. Vidas que se perdem por falta de transporte para o hospital. Ônibus que atolam e capotam. Caminhoneiros que dormem ao lado do perigo. E uma pergunta que ecoa a cada curva: por que ainda tratamos isso como normal?
Não é só sobre buracos na estrada. É sobre buracos no orçamento, na responsabilidade pública, na empatia política.
“BR-319: Vidas na Lama” não é um pedido. É uma denúncia. E também um convite: venha ver com os próprios olhos o que muitos fingem não ver.
Conduzido pela jornalista, roteirista e documentarista Lúcia Leão, o documentário ganha ainda mais força narrativa. Com quatro décadas de experiência em telejornalismo, produção audiovisual e gestão de equipes, Lúcia tornou-se referência na comunicação. Sua contribuição foi essencial para dar sensibilidade, profundidade e propósito à obra.
Foto: Divulgação
