Morte a flechadas no sul do Amazonas agrava tensão com indígenas

Ataque com flechas próximo a Humaitá, na Transamazônica, deixa um morto e um ferido; protestos e racismo contra indígenas pirahãs crescem

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 23/09/2025 às 22:37 | Atualizado em: 23/09/2025 às 22:37

A morte de um homem atingido por flechas na BR-230 (Transamazônica), próximo a Humaitá, no sul do Amazonas, gerou uma forte reação de moradores e provocou ataques verbais e virtuais contra os indígenas pirahãs, povo de recente contato que vive da coleta, caça e pesca na floresta. 

O incidente ocorreu na segunda-feira (15 de setembro), em uma ponte sobre o rio Maici-Mirim, fora da terra indígena Pirahã, pouco além do território demarcado.

Ataque e vítimas

Fontes que participaram do resgate informam que a vítima identificada como José Ailton Teodoro dos Santos foi atacada com flechas pelos pirahãs. Ele morreu e ao menos outra pessoa ficou ferida. O corpo foi encontrado nas águas do Maici-Mirim, afluente do rio Madeira.

Segundo o boletim de ocorrência, antes do ataque houve invasão da casa de José Ailton por indígenas, com roubo de roupas e comida. Moradores teriam perseguido o grupo, momento em que foi disparado o ataque.

Protestos e tensão

Desde o episódio, moradores realizaram protestos presenciais e campanhas virtuais, com manifestações que incluem linguagem racista contra os pirahãs.

A Funai manifestou preocupação de que o caso possa desencadear conflito ainda maior, inclusive com possibilidade de destruição de equipamentos públicos, lembrando casos passados de tensão.

O que já foi feito

  • A Funai já mobilizou equipes para apurar o ocorrido, entrevistando pirahãs e moradores, para esclarecer os fatos, conforme informou o ICL Notícias.
  • O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado via ofício do procurador Daniel Luís Dalberto, que recomendou que a Polícia Federal assuma parte da investigação, dado o caráter de povo de recente contato.

Sul do Amazonas e região problemática

O incidente revela que o sul do Amazonas continua sendo uma zona de profunda tensão fundiária e étnica com invasões, assédio territorial e grilagem. Como resultado, os habitantes ficam mais vulneráveis e ameaçados.

A atuação firme de órgãos como Funai, PF e MPF são urgentes para evitar novos confrontos.

Foto: reprodução/YouTube