Filme destaca sítios arqueológicos esquecidos em Itacoatiara, no Amazonas
Documentário conecta passado indígena, presente urbano e questiona símbolos coloniais em Itacoatiara
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 19/09/2025 às 22:03 | Atualizado em: 19/09/2025 às 22:27
O documentário “Itacoatiaras”, dirigido pelo cineasta amazonense Sérgio Andrade em parceria com a artista carioca Patricia Gouvêa, estreia neste mês em dois importantes palcos internacionais: o Festival do Rio e o Festival Panorâmica de Estocolmo, na Suécia.
Com 73 minutos de duração, a obra estabelece um diálogo entre o bairro de Itacoatiara, em Niterói (RJ), e o município homônimo no Amazonas, colocando em evidência ancestralidades indígenas, fragilidades ambientais e a disputa simbólica em torno da memória coletiva.
Patrimônio invisível
No Amazonas, o filme traz à tona sítios arqueológicos pouco valorizados, como as pedras históricas do rio Urubu e da ponta do Jauary, onde inscrições ancestrais se revelam durante o período de seca.
Essas marcas, deixadas por povos indígenas, permanecem em segundo plano diante da narrativa oficial que privilegia marcos coloniais.
Patricia aponta a necessidade de repensar esse apagamento cultural:
“É urgente valorizar nossos sítios arqueológicos, muitas vezes negligenciados, e questionar símbolos oficiais que ainda reproduzem a lógica da colonização. Em Itacoatiara, a própria bandeira do município destaca uma pedra do colonizador português em vez das inscrições indígenas locais, que representam a verdadeira identidade da região”.
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Cinema como reflexão
O longa reúne depoimentos de lideranças indígenas, ambientalistas e pesquisadores, além de registrar a escuta sensorial de rios, florestas e pedras que se tornam protagonistas da narrativa. O objetivo não é comprovar teses, mas instigar reflexões sobre identidade, memória e futuro.
Para a equipe, o filme dialoga com temas globais, como a crise climática, mas mantém enraizamento local ao evidenciar a resistência cultural dos povos originários do Amazonas.
Expectativa no Amazonas
Após as estreias no Brasil e no exterior, os diretores esperam exibir a obra em Itacoatiara, no Amazonas.
A proposta é provocar uma redescoberta do patrimônio cultural local e incentivar a sociedade a repensar símbolos, narrativas e políticas de preservação.
“Esperamos que o público se sinta tocado, reflita sobre memória e ancestralidade, e que Itacoatiara reconheça a força de sua própria história indígena”, reforça Patricia.
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Foto: divulgação
