#BNC10anos | O horror da pandemia do coronavírus
Coberturas exclusivas do BNC revelaram o drama do oxigênio, enterros noturnos e o marco da primeira vacina indígena no Amazonas.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 18/09/2025 às 00:01 | Atualizado em: 18/09/2025 às 07:28
Em março de 2020, o Amazonas foi um dos primeiros estados da região Norte a registrar casos de covid-19, situação que rapidamente se transformou em crise sanitária grave. O BNC Amazonas noticiou em primeira mão a confirmação do primeiro caso e a trágica morte que seguiria dando início a uma série de reportagens que documentaram uma realidade devastadora, a morte de mais de 14 mil amazonenses.
Nos primeiros meses da pandemia, desde 2020, Manaus enfrentou o caos da contaminação e desespero. As unidades de terapia intensiva (UTIs) chegaram a uma ocupação acima de 96%, enquanto o sistema funerário também colapsava.
O episódio mais dramático foi a escassez de oxigênio medicinal, essencial para salvar vidas nos casos graves.
Em janeiro de 2021, essa crise se agravou drasticamente, causando a morte por asfixia de dezenas de pacientes, muitos dos quais não conseguiram sequer atendimento em hospitais lotados. A operação de transferência aérea de centenas de pacientes para outros estados foi uma resposta emergencial para tentar conter a tragédia.

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Governo Bolsonaro
Nesta mesma fase crítica, enquanto a capital enfrentava mortes em massa e falta de insumos básicos, o governo de Bolsonaro enviava grandes quantidades de cloroquina para o Amazonas e demais estados da Amazônia.
Medicamento sem eficácia comprovada contra o coronavírus acabou sendo distribuído na rede pública, numa medida contestada por especialistas e considerada símbolo da falta de providência do governo federal para conter a pandemia com ações efetivas.
Além disso, por muitas vezes, Bolsonaro fez descaso com a crise mundial, debochando em frases como “e eu sou coveiro?”, “é só uma gripezinha“.
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Enterros e luto
A pandemia impôs regras rígidas para os enterros, que passaram a ser realizados à noite, com a proibição da presença de familiares para evitar aglomerações e novos contágios.
O número crescente de mortes, dado o colapso do sistema funerário, levou a cenas de centenas de sepultamentos diários em Manaus, com relatos dramáticos do quase esgotamento de caixões.
A cidade enfrentou um verdadeiro “boeing de mortes” diárias.
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A esperança da vacina
Em 2021, o Amazonas deu seu primeiro passo na vacinação contra a covid-19, com destaque para a aplicação da primeira dose em Vanda Ortega, técnica de enfermagem indígena do povo Witoto.
Ela simbolizou a esperança para os povos indígenas, grupo especialmente vulnerável, ao representar a luta por vacinação justa e igualitária para mais de 60 povos indígenas no estado.

“Fura-fila”
Não faltaram controvérsias durante a campanha de vacinação. Denúncias de “fura-fila” em Manaus levaram a investigações do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado.
Médicos recém-formados, parentes de empresários e figuras públicas foram acusados de receber doses antes dos grupos prioritários, causando revolta na população e uma campanha por maior transparência nas ações de imunização.
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Foto: BNC Amazonas
