Maior corredor do Brasil vai fazer 4.200 km a partir de Lábrea, no AM

Ponto de chegada é Cabedelo, na Paraíba, fazendo percurso completo da famosa BR-230, a Trânsamazônica. Desafio começa na coméça na próxima segunda-feira, 22

Maior corredor do Brasil correrá 4.200 km saindo de Lábrea (AM)

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 16/09/2025 às 07:32 | Atualizado em: 16/09/2025 às 18:30

O ultramaratonista Carlos Dias, 52 anos de idade, considerado o maior corredor de longas distâncias do Brasil, inicia na semana um dos maiores desafios de sua carreira.

Dessa forma, ele pretende percorrer a rodovia Transamazônica (BR-230), em um trajeto de aproximadamente 4.200 quilômetros, que começa dia 22, em Lábrea (AM), no sul do Amazonas.

Como resultado, o percurso termina em Cabedelo (PB), no litoral da Paraíba.

É que o informa hoje, em sua coluna no jorna Folha de S.Paulo, Paulo Vieira, do Jornalistas que Correm.

Dessa maneira, a jornada, prevista para durar pouco mais de três meses, exigirá do atleta o equivalente a correr uma maratona por dia.

Assim, ao longo do percurso, Carlos Dias passará por municípios do Amazonas que integram o traçado da BR-230, como Lábrea, Tapauá e Apuí, levando para cada comunidade a dimensão de um feito esportivo inédito.

Foto: divulgação

A rodovia inacabada que marcou a Amazônia

A Transamazônica, inaugurada em 1972 durante o regime militar, foi concebida como símbolo do projeto de integração nacional.

A princípio, seu traçado original previa ligar a região Nordeste ao extremo oeste da Amazônia, com ponto final em Benjamin Constant (AM), na tríplice fronteira com Colômbia e Peru.

Entretanto, as obras foram interrompidas em Lábrea, o que reduziu a extensão final para cerca de 4.260 quilômetros.

Hoje, a rodovia corta sete estados brasileiros — Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Tocantins e Amazonas — e ainda apresenta trechos não pavimentados, que desafiam motoristas e comunidades locais.

Do coração da floresta ao mar

Para além do esforço esportivo, a travessia de Carlos Dias também chama atenção pela carga simbólica: sair do interior do Amazonas, região marcada por dificuldades de acesso e pela forte presença da floresta, e chegar ao Atlântico, no porto de Cabedelo.

O corredor, de 52 anos, já é conhecido por outros feitos de resistência, mas reconhece que o desafio da Transamazônica carrega um peso especial.

“Não é só correr. É atravessar o Brasil por uma estrada que mudou a vida de muitas comunidades e ainda hoje simboliza o encontro entre o sonho de integração e a realidade da Amazônia”, destacou em entrevistas recentes.

Um feito que conecta esporte e história

Com isso, a aventura que começou em Lábrea dá visibilidade não apenas ao talento e resistência de um atleta, mas também à importância da BR-230 para os municípios do sul do Amazonas.

Nesse sentido, em cidades como Lábrea, Tapauá e Apuí, a passagem do ultramaratonista promete mobilizar moradores e reacender discussões sobre os desafios e o futuro da Transamazônica.

No fim da jornada, quando alcançar a Paraíba, Carlos Dias terá cruzado o Brasil de ponta a ponta, unindo em passos e quilômetros a memória de uma rodovia inacabada e a persistência de quem carrega no corpo a marca da resistência.

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Fotomontagem: BNC Amazonas