PF estoura esquema de cassiterita dos ianomâmis que envolve Amazonas

Operação Ouro Negro bloqueia R$ 265 milhões de investigados em fraude de licenças ambientais para “esquentar” cassiterita.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/09/2025 às 20:55 | Atualizado em: 09/09/2025 às 20:57

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8 de setembro), a operação Ouro Negro para desarticular um esquema de fraude em licenciamento ambiental e comercialização irregular de cassiterita extraída clandestinamente na terra indígena yanomami.

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 265 milhões em bens e valores de investigados e suspendeu as atividades de empresas suspeitas.

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Roraima, Amazonas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Gatilho da investigação

O caso começou após a apreensão de 2 toneladas de cassiterita em Boa Vista (RR). Laudos da perícia identificaram que o minério estava amparado por licenças ambientais irregulares, supostamente emitidas para “esquentar” o produto e permitir sua circulação como se fosse de origem legal.

Alvos investigados

Entre os locais de cumprimento de mandados em Roraima, houve diligências na Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), responsável pela emissão de licenças.

No Amazonas, a PF apura conexões de transporte e comercialização da cassiterita clandestina, inclusive com destino a outros estados.

Medidas judiciais

Além do bloqueio milionário, as decisões judiciais preveem:

  • • Suspensão de atividades econômicas de empresas investigadas;
  • • Apreensão de documentos, computadores e celulares;
  • • Análise de fluxos financeiros para rastrear o destino do lucro obtido.

Contexto maior

A operação Ouro Negro integra o conjunto de ações federais voltadas à desintrusão e combate ao garimpo ilegal na terra Yanomami, em cumprimento a decisões judiciais como a ADPF 709.

Desde 2023, operações conjuntas da PF, Ibama, Funai e Forças Armadas têm fechado pistas de pouso clandestinas, destruído maquinário e bloqueado rotas logísticas do garimpo.

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Foto: arquivo/PF