Caso Epstein: vítimas vão às ruas e afirmam que Trump defende pedófilos

Manifestantes em Washington exigiram divulgação total dos arquivos; Congresso pode ser pressionado a agir

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 03/09/2025 às 22:01 | Atualizado em: 03/09/2025 às 22:01

Sobreviventes e familiares de vítimas do caso Jeffrey Epstein realizaram, nesta quarta-feira (3), um protesto em frente ao Capitólio, em Washington, acusando o presidente Donald Trump de proteger pedófilos e de minimizar a gravidade do escândalo.

O ato, batizado de “Stand with Survivors”, reuniu dezenas de pessoas com cartazes que pediam transparência total e divulgação integral dos arquivos ligados à rede de abusos sexuais de Epstein.

Segundo os manifestantes, a postura de Trump de classificar o caso como “farsa” (hoax) representa um insulto às vítimas e uma tentativa de descredibilizar as denúncias.

“Esse não é um caso político, é um caso de justiça. Não podemos permitir que a verdade continue escondida para proteger pessoas poderosas”, afirmou uma das organizadoras do ato.

Pressão sobre o Congresso

O protesto reforçou o apelo para que o Congresso norte-americano aprove medidas que obriguem a divulgação completa da lista de nomes de associados e possíveis cúmplices de Epstein.

Segundo a Associated Press, a pressão política cresceu após sobreviventes anunciarem planos de compilar e divulgar por conta própria todos os nomes conhecidos.

Parlamentares da ala democrata sinalizaram apoio à iniciativa, enquanto aliados de Trump tentam reduzir o alcance das investigações.

Analistas políticos avaliam que, se o movimento ganhar força popular, a Câmara e o Senado poderão ser obrigados a debater projetos que garantam transparência total sobre o caso. E isso será um desdobramento que pode gerar forte desgaste para figuras de alto escalão.

Leia mais

Lula leva ao Brics o ‘golpe tarifário’ de Trump contra o Brasil

Linha do tempo do caso Epstein

Anos 2000: Jeffrey Epstein é investigado por abuso sexual de menores, mas fecha acordos judiciais controversos que evitam punições severas.

2008: Firma acordo de confissão na Flórida, considerado “brando” e amplamente criticado.

Julho de 2019: É preso novamente, acusado de operar uma rede de tráfico sexual envolvendo menores e personalidades influentes.

Agosto de 2019: É encontrado morto em sua cela, oficialmente por suicídio, no centro de detenção de Manhattan. A morte gera teorias de conspiração sobre suposta queima de arquivo.

2020-2024: Avançam processos contra cúmplices, incluindo Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual e aliciamento.

2025: Sobreviventes intensificam mobilização por divulgação integral dos arquivos e responsabilização de todos os envolvidos, independentemente de posição política ou poder econômico.

Caso que não cala

Jeffrey Epstein, bilionário acusado de manter uma rede de exploração sexual de menores envolvendo personalidades influentes, continua sendo centro de polêmica mesmo anos após sua morte.

O recente movimento das vítimas pretende deslocar o debate das especulações para a responsabilização direta de todos os envolvidos.

⁠“Não se trata de esquerda ou direita, mas de proteger crianças e punir criminosos”, disse uma manifestante.

Foto: reprodução/YouTube