Caso de indígena estuprada no Amazonas reforça papel da defensoria pública

Decisão do STJ consolida tese que permitiu atuação do órgão mesmo com advogado constituído.

Caso de indígena estuprada no Amazonas reforça papel da defensoria pública

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 28/08/2025 às 15:21 | Atualizado em: 28/08/2025 às 15:21

A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que consolidou a tese do custos vulnerabilis, permitindo à defensoria pública intervir para proteger pessoas em situação de vulnerabilidade mesmo quando já há advogado constituído, ganhou relevância no Amazonas com o episódio grave registrado em Santo Antônio do Içá.

Uma mulher indígena da etnia kokama, presa e posteriormente vítima de estupro por policiais militares dentro da delegacia, teve acompanhamento integral da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), apesar de contar com advogado particular.

Segundo o defensor público Theo Costa, a gravidade da violação de direitos humanos justificou a atuação paralela.

“Muitas vezes, o próprio advogado solicita a participação da defensoria para unir forças. Brigar por direitos humanos no Brasil é extremamente difícil, e essa cooperação é essencial para resguardar a dignidade da pessoa humana”.

Tese reconhecida

A decisão do STJ confirma um entendimento defendido há mais de uma década pelo defensor público amazonense Maurílio Maia, que vê o custos vulnerabilis como um instrumento indispensável para reduzir riscos e danos às populações vulneráveis.

“Essa decisão do STJ é importante por consolidar a defensoria como Estado defensor constitucional, que se preocupa e se ocupa da defesa dos direitos humanos como expressão do regime democrático”.

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No sistema prisional

No Amazonas, o Núcleo de Atendimento Prisional, da DPE, aplica a tese no atendimento a pessoas privadas de liberdade.

Desde 2019, mais de 100 mil atendimentos a presos provisórios e definitivos já foram realizados, com acompanhamento permanente dentro das unidades prisionais.

O modelo foi reconhecido pelo Ministério da Justiça como referência nacional e chegou a ser oficializado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) em 2021.

Entenda a tese do custos vulnerabilis

O termo em latim significa “guardiã dos vulneráveis”. Na prática, permite que a defensoria pública atue em processos para proteger direitos fundamentais de pessoas em situação de vulnerabilidade (indígenas, presos, crianças, idosos, vítimas de violência) mesmo que essas pessoas já tenham advogado particular.

O objetivo é evitar retrocessos e assegurar proteção integral, funcionando como força de cooperação com a advocacia privada e reforçando o controle constitucional sobre violações de direitos humanos.

Foto: DPE/divulgação