Instituto francês afirma que democracia brasileira foi corroída
Publicado em: 26/01/2017 às 15:22 | Atualizado em: 26/01/2017 às 15:22
O observatório Político da América Latina e do Caribe (OPALC), ligado ao renomado Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), fez um balanço sombrio sobre a crise brasileira em seu novo relatório anual sobre a região. O documento também apontou um caráter “ilegítimo na ascensão do presidente Michel Temer (PMDB)” e de um novo projeto de reformas.
Segundo o texto, a alternância não eleitoral de 2016 desafia um quarto de século de consolidação democrática. “Como na maioria dos períodos de crise que o Brasil conheceu em sua história, a solução de conflitos políticos acontece fora da arena eleitoral, em um círculo fechado das elites. Mas, desta vez, a solução não foi negociada. Ela foi imposta pelo desvio de um instrumento da democracia (o impeachment). Agindo assim, os representantes corromperam a democracia brasileira”, aponta o relatório. “Essa corrupção moral do regime constitucional foi somada a uma corrupção moral e financeira do sistema político, reforçando o descrédito da democracia”.
O documento também afirma que o procedimento foi realizado de “maneira brutal, abusiva e indecente” e “teve o efeito de reforçar a polarização política e fragilizar as instituições democráticas”.
O OPALC aponta que “as revelações que se sucedem no contexto da Lava Jato […] alimentam o descrédito da classe política e fazem tremer o sistema político em seu todo”. E que “ao fim de 2016, a democracia brasileira parece esfarrapada, corroída pelos excessos de seus representantes.”
Fonte: Portal Terra
Foto: Agência Estado
